Wednesday, February 06, 2008


Fim de linha, mais um blog cheio de tralha, mas a aventura não se fica por aqui...


Saturday, January 19, 2008


O que faço eu com eles?

Por tudo o que não queria perder
Foste tudo o que perdi
Tristeza de não esquecer
Pensamentos que te lembram a ti

Que faço eu com eles?
Queimo-os? Rasgo-os? Então?
Que se faz com os pedaços
Do que foi um coração…?

Se algo quis que fosse eterno
Eras tu eterno ser
Tu que em vão te foste
Deixas-te só o meu viver…

Pútrida essa farsa que consome
Que corrói e que magoa
O que a cabeça esqueceu
Ainda o coração não perdoa….

Todo o mundo conspira

O vento,
Percorre docemente
Tua pele queimada pelo sol
Meio doce, meio quente,
Capricho de um zéfiro indecente
Que te percorre tristemente
A pele que lhe deixas-te tocar…

Foi feitiço? Talvez?
Feiticeiro maldoso…
Quando isto começou não era eu assim…
Não te suspirava por todos os meus poros
Não te olhava nos olhos
Com medo de mostrar o coração…

E não, não tenho nada
a confessar em minha defesa
Não tenho nada a dizer
Apenas quero que vejas
Que um dia me fizeste sofrer…

Parti de mim, perdi-me de mim própria
Para te olhar do mais alto do que sou
e jurar a mim mesma que te iria esquecer
Que fizes-te com o meu juramento
se não deixas-te de me fazes sofrer?

Espero um momento em que consiga
deixar de me odiar por tudo o que és
Mas ainda não encontrei o meu momento
Nem a razão para o fazer
Nem consigo encontrar uma razão para acreditar
que meu mundo deixará teus pés…

Todo o mundo conspira…

Por tudo o que não quis perder…

Não é que eu te deseje mal
Apenas não vos desejo bem…

Tentei fugir de ti…
E uma vez mais caí no engodo
De uma vida plena
Sonho eu desde pequena
Que faço eu perdida neste mundo?

Sei que não és feliz
Eu sei…
E que fazer dessa vida ignorante que levas
Que fazer dessa vida inútil
Que refugio reles arranjas-te meu amigo…

Sim, foste Anjo branco
Foste luz… pois foste…
E que és tu agora?
Triste chama sem luz
Triste espelho que reluz
Algo que não foi capaz de ser
Perdi-te nas brumas Snow white Angel
Por tudo o que não quis perder…

Amar?
É talvez repetir o teu nome ao expoente da loucura
Esperar que o seu eco seja ainda maior

Amar, tantas palavras doces como amar
Têm sido esvaziadas de significado
Desde que existes…

Talvez um dia percebas que loucura
É esta corrente
Que em minhas veias corre sem cessar.
Que nunca encontrarás em ninguém
luz igual a minha
Não te iludas
Nunca encontrarás outra Fénix
Por mais plena que possa vir a ser a tua vida…

Mas nessa altura talvez seja já tarde demais
Para voltar a trás
E só a revolta e o arrependimento restarão para ti
eles e as cinzas reminiscentes da minha inexistência…

Mundos mudos

Mundos mudos em que me perco
Calma sombra da solidão vizinha
Talvez seja a transparência opaca
De um mistério assombroso que se dissipa
Talvez seja por estar aqui
Sozinha
Nesta espécie de absurda dimensão minha
Que incautamente alguém roubou…

E eu pensei que podia voar
Que me sentia tão viva
Caí em queda livre desse pedestal
em que me pintas-te
Esse arquétipo vígil que me rouba o ser

Quem sou eu para ti
Snow White Angel
Quem sou eu afinal?...
Será que tua alma esqueceu?
Serei algum dia a sombra perene
também do mal que é teu?

Nada

Incautamente
alguém pintou os meus medos
Temerosos segredos
Inevitável verdade
que não vacila com o teu olhar.

Que fizes-te tu das nossas madrugadas?
Com o vazio perfeito das tuas palavras?
Que fizes-te das nossas centelhas de luz?
Com os meus sentimentos?

Guardo no peito
a ultima palavra que me fez tremer
Ainda a relembro em amargo ser
Mais profunda, mais doce
Reflexo de um nada…

Sim, foi tudo,
Fui apaixonada
E acabou por ser a perfeição de um tudo
Dissolvido num vazio amargo de nada…

Musica dos meus ouvidos que te fizeram
Que fizeram com o teu pensar
Aqui te relembro como cinza
Que o vento levou no seu passar…

Nada

Incautamente
alguém pintou os meus medos
Temerosos segredos
Inevitável verdade
que não vacila com o teu olhar.

Que fizes-te tu das nossas madrugadas?
Com o vazio perfeito das tuas palavras?
Que fizes-te das nossas centelhas de luz?
Com os meus sentimentos?

Guardo no peito
a ultima palavra que me fez tremer
Ainda a relembro em amargo ser
Mais profunda, mais doce
Reflexo de um nada…

Sim, foi tudo,
Fui apaixonada
E acabou por ser a perfeição de um tudo
Dissolvido num vazio amargo de nada…

Musica dos meus ouvidos que te fizeram
Que fizeram com o teu pensar
Aqui te relembro como cinza
Que o vento levou no seu passar…


Avalon

É mais giro ver de perto
E tocar com teus pés descalços
A suavidade de veludo da lua
Espelhada neste mar

È bela esta paisagem de magia
Este espelho de Avalon perdido
Numa centelha de ligação entre os mundos

Perde-te alma penada,
Perde-te nesse teu oculto recanto de luz
Enquanto eu, tua sacerdotisa
Mantenho a vigília do teu sono profundo

Volta a renascer pequena alma danada
E como a Fénix
extingue teus medos na luz do teu fogo.
Não te deixes morrer, não te deixes perder
Só te resta deixar morrer
A alma que é em ti sofrer…


Cacos

Agora resta-me apanhar os cacos
e deixar que passe…
Fazer de conta que a tua ausência
nunca me irá afectar, nem a mim,
nem a perfeita muralha de marfim que me rodeia…
Fazer de conta que todas as minhas bases desfeitas
todos os pilares de uma vida que destruís-te
se mantém intactos e intocáveis…
Fazer de conta…

Um dia tudo passará,
Águas de turbilhão levarão para sempre
Toda a réstia da tua passagem,
futuro longínquo esse que não vem
e as horas arrastam-se na sua passagem…

Quero olhar-te,
bem no fundo desses teus olhos de gelo
para que vejas que me tocas-te
no mais profundo do meu ser.
E que fizes-te tu do meu coração e da minha alma?
Partiste-os em mil cacos saudosos
que condenados ainda não te esqueceram…

Tuesday, June 12, 2007


Há dias assim
Dias em que não me sei
distinguir da dor que carrego
Dias em que as diferentes caras
parecem uma só, a da solidão.

Dias em que o sorriso esconde
um coração já seco de lágrimas
Dias em que tudo o que poderia ser perfeito
acabou por ser uma mentira
com um embrulho brilhante
de lágrimas e tristeza
que carregam um bilhete a dizer
“Perdes-te…!”

Este é um daqueles dias
em que até o sol parece que se escondeu
só para não o ver…
Um daqueles dias em que tudo
acordou virado das avessas
e tem que se recomeçar tudo de novo…

Finjo ter paciência
Para a tua egoísta forma de ser
Sombras da vida, clemência
Que fazer, que paciência
Para essa forma de vago ser

Se assim fosse a perfeição
O arquétipo do ser
Então na imperfeição estaria a verdade
Na forma de imperfeita igualdade
De algo que de ti não deixará saudade.

Em tédio te transformas-te
Em tédio marcas-te a minha vida
E desilusão de ser
Algo de que esqueci a medida

Estou farta dessa tua perfeita forma de crença
Dessa pútrida afinação inexistente
Desses princípios vazios de significado
De aturar essa tua forma de ser
Perfeitamente uma sombra…

O mar


O mar, espumando lá em baixo
Rebentava de perfume a maresia
Enquanto os olhos miravam as ondas
Tua sombra em mim remexia.

Lembranças do que nunca foi
Talvez seja do mar então
Memória do que em mim remói
Do que sem pena corrói
O que sobrou de um coração.

Irado o mar se retorce
Dentro do peito a fúria é maior
As sombras da revolta
Que voltam de volta em volta
As cambalhotas neste chão

Memorias de mim para mim própria
Com o Mar a olhar na sua calmaria
Em tempestade se elevam e voltam
Dentro de alguém que sorria

Porquê?


Fez-me acreditar no seu leve toque
De canção de embalar
Que ainda posso sorrir,
Pode ser que sim,
Que ainda te consiga seguir.

Mas o que fizeste tu
Porque não deixei ainda de acreditar?
Porque te persigo se segues sempre em frente?
Porquê? Se nunca te consigo alcançar?
Porquê? Que me fizeste tu?
E que te fiz eu para merecer praga?
Esta maldição…

Tem dias em que a vida me faz crer
Que tudo está fadado para correr mal
Para que o mundo desça sobre as minhas costas.
Para que eu não tenha sossego.

Esperei toda a vida por alguém como tu
Porquê? Porque me fazes sofrer?
Porque não vais embora para sempre?
Porque manténs essa tua presença
meio ausente de espectro à minha volta?
Porquê? Porque não me consigo livrar de ti?

Para onde foi a alegria que eu tinha?
Talvez fosse embora com a chuva que caiu para longe…

Tu, Ausente...


Que o sol não volte a brilhar sem a tua presença

Que as nuvens não voltem a chover nem a neve a cair
Desces-te do céu de repente
Como uma aurora boreal
Ainda assim tu, Ausente
Foste meu bem, és sombra do meu mal

Se ainda assim vieres
Se ainda assim o quiseres ser
És e serás ainda
Razão do meu sofrer
A alegria de um triste viver

Vida que és vida
Não o és sem um senão
Há sempre uma sombra na luz
Um espinho no coração.

Tu que és meu espinho
Anjo, vida, cruel
Tu que me manténs dividida
Por quem viver esta vida
A quem dedicar este papel?

Desilusão

Por vezes pode não ser alguém
Não ter nome
Não ter rosto
Ser apenas um fantasma
Que nos persegue
Que nos consome
Por dentro…

É duro quando o copo vaza
Quando nos sentimos no limiar da escuridão
E essa desilusão que nos consome
Não tem um só rosto
Mas muitos…

Tem o rosto do medo,
do nosso medo
Tem o rosto do fado,
que nos obriga a vermo-nos
sem nunca realmente nos encontrarmos
Tem o rosto das almas
que no limiar se cruzaram
para não mais se encontrar
Tem o rosto da solidão
O da tristeza
O da saudade…

É assim a desilusão
O demónio sem rosto
que assombra meus dias
Que se alimenta do meu medo
e da minha revolta

Sei que te perdi Anjo Branco
Mesmo que não tenhas ainda partido
Por mais que quisesse prender-te aqui
Sei que seria tempo perdido

Esta é a de4silusão sem nome
De uma alma só, perdida
Esta a desilusão sem rosto
E de mim para mim própria,
Dividida
Pergunto-me qual a razão de viver
Se a desilusão é a própria vida…

Friday, April 13, 2007


Infame gloria desmedida

No caminho da luz
Que alguém corria
Olhei para ti ao meu lado
Na máscara de alguém que sorria
Tua cara escondia
Um sorriso apagado

Por entre o fumo e as cinzas
Amarga a dúvida fez-se então
Sonho dos sonhos
Tu que guias
Escolher entre os sonhos
É que não…

Ninguém disse que era fácil
Esta vida de trilhar
Oh infame gloria desmedida
Que os caminhos turvas-te
No teu meteórico passar

Pintas-te teus árduos trilhos
De um encanto sublime de fel
Escolhendo entre caminhos
Qual alma perdida
Num jogo do fado cruel
Joga em vão sua vida
Na vangloria de um papel…



Não se ouviu mais o seu cantar

Se ainda restasse esperança
Seria a vida tão cruel?
Se ainda restasse esperança
Que escreveria eu neste papel?

Mas de esperança que se foi
Nada resta senão o chorar
De uma alma triste e só
Da triste melodia
De um anjo a cantar

E como encanta o anjo que canta
Na tristeza da sua solidão
- Porque choras triste Anjo
Quem levou teu coração?

- Foi um anjo branco
Que para longe levou seu cantar
Levou a citara consigo
Deixou-me aqui a chorar…

Canto belo entre os cantos
Melodia das melodias
Que sacrilégio o desse anjo
Que em amargo pranto
Deixou teus dias

E em pranto rompeu o anjo
Não se ouviu mais o seu cantar
E no abismo ficou sozinho
O anjo das sombras a chorar.

Eu, reles ser

Marejada em lágrimas fica a alma
Daqueles que ficam para trás
Aziaga a sorte que tem
O coração que relembra alguém

Se a culpa não é do fado
Que os caminhos fez separar
De quem será então
Nesta vida a quem culpar?

Talvez culpar-nos a nós
Porque não?
Pútridos seres terrenos
Merecedores de todas as tormentas
Que caem sobre as nossas cabeças…
Sem piedade…

Talvez culpar-nos por toda a dor
Por todo o medo
Por todo o lamento
Por todo o sofrimento
Por todo o vago sentimento
Pelo arrependimento
Que chegando tarde
Nos fará relembrar sempre a verdade

A pútrida verdade de que somos seres imperfeitos
Maltratados por nos mesmos e pela vida
Formatados para amar o inatingível
Formatados para deixar escapar por entre os dedos
Cada bênção tão generosamente oferecida

Perdoa, anjo branco, a minha condição
De reles humana
A minha condição de ser temeroso
Que te venera
A minha condição de triste ser
Que te deixou voar
Com medo de ter perder…

Monday, March 05, 2007

























Algo mais profundo


Tenho medo
Não de morrer ou que a morte me leve
Não de fechar os olhos e não mais ver o mundo
Não…
É algo mais profundo…


Ainda que corteje os vales da morte
Não temo qualquer demónio
Temo-me única e exclusivamente a mim
E é este medo sombrio
Que me desperta na alma
Este medo que permanece em vigília
Este que há muito me roubou a calma


Medo de mim que me anulo
Medo de mim que me contenho
Medo de mim que deixo ir o que procuro
Medo do espectro do que tive e perdi


Se tenho medo que o mundo
me fuja debaixo dos pés...?
Talvez…
Um dia posso ser eu
E que raio fiz da minha
centelha de universo?


Condenada a procurar o que queria
Julgo que nunca o consegui
Ou se calhar nunca o conseguirei
Tenho medo de perder os sonhos que sonhei
Porque pior de que a morte da alma
É a alma da morte
E o seu subterfúgio sombrio em alguém
Que já desistiu de viver…
















Aqui, no sopé do Marão

Espetados contra as nuvens, teus penedos
Afrontam os austeros céus
Quantas histórias, enredos
Guardam eles mudos e quedos
Do alto dos montes teus

E eu, rodeada dos teus austeros preparos
Canto uma melodia de pesar
Canto o que pesa numa alma
A quem o tempo se arrasta a passar


E o tempo que não passa pelas rochas
Por mim passará ou não
Se a alma diz que não passa
Que dirá o coração…?

Como passam por ti os séculos
Se custam as horas a passar
Como são duras as horas que passam
Entre o doce encanto de pesar

Mantém-se o fantasma aqui, ao meu lado,
No tempo que passa faz-me pensar
Custa tanto o tempo contado
De quem conta o tempo de regressar

Será que conta o tempo
Contará o não?
E neste breve momento
Que no compasso passa lento
Questiona-se o coração…

E aqui estou eu
No sopé do Marão
Cantando às colinas
O meu coração.

Monday, February 12, 2007


Horas mortas

E as horas passam
Divagantes e mortas
Entre as brumas do silencio
Vidas tortas, amargas
Perdem por fim o alento
Bate à porta o fantasma da solidão
Chega perene, cansado
Inundado pela desilusão
Da certeza de um passado

E o relógio… corre arrastado
Nas horas mortas que ao passar
Deixam o murmúrio de um compasso
De um passo leve de compassado pesar

Ai! Como me pesam estas horas de nadas
Que tão tristes são no seu passar
Foi-se o fantasma de vidas passadas
Mas ficou o seu pesar.

E nos pesos e contrapesos
Nada fica, nada… senão
A tristeza pesada no peso
Do que já foi um coração

Da ilusão de que já nada resta
Fica o silencio… talvez

Pintados de ébano teus olhos
Estão longe…
Feliz de mim, não me vês!

Monday, February 05, 2007





















Melancolia das horas mortas

Melancolia das horas mortas
Como me dói o teu passar
Que fantasma de vidas tortas
Fez de ti meu pesar

Já perguntei o que fiz da vida
Ainda me pergunto onde errei
Vago erro da errónea vida
O que é da vida já não o sei

Meu coração de pesar se cobre
Tortas as horas que passaram
Por tuas molesta que não sobre
Uma só das duras lágrimas
Que meus vagos olhos choraram

Efémera é a vida que compassa
A melancolia atrasa o compasso no passar
Horas mortas que não compassam
E no compasso das horas me vêem chorar

Oh sacerdotisa da noite
Vem e leva meu pesar
Leva-o para que ninguém saiba
Que esta noite estou a chorar
Vem sacerdotisa das trevas
Vem e leva a melancolia

E assim de noite um anjo chorava
E assim nas trevas em mágoas sofria















Talvez

Para quê continuar a lutar
Para quê lutar por ti
Se o caminho ainda a começar
Me vai dizendo que te perdi

Para quê tentar ser algo maior
Para quê perguntou eu…
Para quê procurar ascender
ao mundo dos arquétipos
se aqui a sombra sou eu


Fiz de tudo? Talvez…
Não deve ter sido suficiente
Não foi suficiente assim
E talvez por isso esteja tudo perdido…

Estarrecida minha alma
E com o coração a pesar
Explode em mim a calma
De um coração a chorar
Lateja-me dize-lo
Soar a perdido
Fantasma de razão
Já te devia ter esquecido…

















Que raio de vida

Desilusões, que raio de vida
Tantas vezes roçámos a alegria
Que tantas vezes foi esquecida
Alegrias que vivemos
E tristezas malogradas
Reduz-se a vida a insignificâncias
A pequenas memórias de nadas


Por te temermos, oh tristeza
Quantas vezes deixamos ir a alegria
Por te temermos, oh dor,
Para onde foi a fantasia
Que raio de mutiladores imundos somos nos
que nem os sonhos, os nossos sonhos
soubemos manter…?
Quantas vezes sonhei meu Deus
Quantas vezes por vão capricho do destino
Tive tudo e tudo perdi….
Fico a pensar insanemente
Quantas dores em vão senti


Temo em vão estar presa
Temo em vão te olhar
E de temores insanes
Que vida…
Que vão passar…
Meu Anjo, Anjo Branco
Voltarei eu um dia a sonhar?





















O murmurar das águas

Não sei se me posso chamar
Poetiza das horas mortas
A sombra descarnada
Que vagueando te assombra ainda

Entre bosques sombrios
Enterrei meus medos
Das aguas cristalinas
Ouço o murmúrio dos segredos

Sacerdotisa da tua calma
olho tuas águas geladas
mil espelhos enluarados
revestidos a prata
que incautos vêem
em vão meus sonhos passar


Por vezes seria mais fácil
Talvez fosse mais fácil
deixar o meu coração em tuas aguas
deixar o meu coração
para não o voltar a ouvir
para não o voltar a sentir
para não voltar a sofrer…


Mas aqui estou eu
a eterna solitária caminhante
dona das horas mortas
dos assombros gelados
de um coração latejante.